quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Porque eu gosto de poesia

Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza,
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora,
Qualquer coisa que sente saudade.
Um molejo de amor machucado,
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher,
Feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor
E para ser só perdão.


Vinicius de Moraes

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ela bate fina e aguda na minha alma enquanto eu tenho stormy weather de fundo
ela acalma todos os meus pensamentos enquanto eu tenho stormy weather como trilha
ela atormenta toda a minha pele enquanto eu tenho bell bottom blues
ela sempre me cala fundo
e eu só contemplo
enquanto aquele cheiro que ela sempre traz não sai de mim
fazendo a minha saliva enroscar na garganta
equanto eu tenho i´d rather go blind no fundo
equanto eu tentava arder contidamente
equanto eu tentava respirar sem tocar minhas vísceras
equanto eu tentava soltar meu pescoço no último gole
enquanto tudo acabava num blues do ano 2000

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

É exatamente isso!

Sobre Conexões - Sônia Motta

Foi com muito prazer que participei da curadoria seletiva da 6ª Bienal SESC de Dança, pois vivendo e trabalhando há vinte anos fora do meu país, tive a chance, durante esses três dias intensos de seleção, de poder ver, analisar e entender bem de perto a atual produção da dança nacional.

Constatei, porém, com certo pesar, que o número de produções tende a ultrapassar o número de criações. Encontrei muitas propostas vazias de conteúdo. Percebi as buscas, as tentativas, sobretudo as pesquisas e poucos achados. E perguntei-me: o que será que fundamenta a expressão da dança hoje em dia?

Descobri que esta não é só uma questão pessoal e sim de muita gente. Sobretudo do Sesc que, nesta iniciativa de apresentar uma Bienal sobre Conexões, busca encontrar respostas instigando seus participantes a investigar e explorar a arte da dança em relação ao espaço físico e ao espaço das relações humanas.

Mas será que podemos chamar de arte as buscas, pesquisas e tratados que fazem parte de todo processo de criação? Há tempos atrás uma grande atriz me disse: “ache, depois procure!” É nisso que acredito: primeiro criar e depois cuidar, lapidar, aperfeiçoar, analisar! Acredito também no famoso lema: menos é mais! Lema esse, a meu ver, necessário em todos os setores da vida contemporânea! Hoje tudo é muito: muito barulho, muita dívida, muito cansaço, muito stress, muita informação. Hoje temos muito pouco do silêncio, do pé de meia, da tranquilidade, da qualidade, da profundidade.

Na verdade desejei que esta Bienal se apresentasse cheia de espaços em branco. Espaços estes que teriam a função de estarem disponíveis para uma conexão com o vazio e com o pouco. Esses vácuos estariam assim, quem sabe, despertando curiosidade no público e nos artistas e, consequentemente, provocando uma maior reflexão sobre o tempo que vivemos e sobre a dança que fazemos. Sei que corro o risco de ser julgada pretensiosa, antidemocrática e elitista pensando assim, mas não seria mais instigante?

Chego a pensar que um dos fatores regentes desta grande proliferação de projetos seja a política de fomentos. Na década de 80 a possibilidade de se conseguir um patrocínio para um trabalho era um sonho ridiculamente quixotesco. Hoje este sonho se torna realidade: a dança está sendo agraciada por um número grande de subvenções e incentivos. No entanto, são poucos os trabalhos que realmente provocam “aquele não sei o quê” que mexe com a gente, que nos alerta sobre algo, que nos inspira a fazer algo, que faz com que a gente não tenha vontade de ir embora do teatro após o espetáculo!
[...]
VALEU LÚ!
E CONTINUO COM A MINHA CAMPANHA: EDIÇÃO NA DANÇA CONTEMPORÂNEA!

domingo, 1 de novembro de 2009

Meu reveillon

Mais um ano novo começando.
Graças a Deus só tenho o que agradecer.
E fazer um pedido: que nesse novo ano eu aprenda a olhar mais o lado bom das pessoas e das situações.

Olhar a paisagem branca e desviar os olhos dos pequenos pontos pretos que possam existir nela.
Prestar mais atenção nos sorrisos de gratidão que estão à minha volta do que nas caras de insatisfação.

"Deixando as coisas que pra trás ficam e caminhando para as que estão adiante."

Bom ano pra você também!

"Examinai a tudo. Retenha o que é bom"


terça-feira, 27 de outubro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ainda sobre o silêncio

Fazia algum tempo que não postava nada. Por falta de inspiração, eu acho. Não, na verdade por falta de encontar algo que realmente me tocasse. Até que hoje recebi um email da minha mãe (valeu mãe!) que gostei do texto de verdade, sabe? E depois fui me ligar que é absolutamente a mesma coisa que a última postagem.
É isso:

"Pra mim Deus é isto: a belza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros; a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto." Rubem Alvez


"Não basta o silêncio de fora. É preciso encontrar o silêncio de dentro." Rubem Braga


terça-feira, 6 de outubro de 2009

sobre o silêncio

Versando...

Soneto de versar (uma releitura de Manuel Bandeira)

Eu faço versos como quem grita
Da vida me abstenho da banalidade
Prescindo às frivolidades
Arrepio ao som de Bach e dos réquiens de Mozart

Eu faço versos como quem arde
Na fala, laconismo
No convívio, neutralidade
Arrepio ao som das notas longas e solitárias

Eu faço versos porque sinto o ser
Eu faço versos porque transpiro
Porque respiro e dilato e recomeço

Eu faço versos com quem foge
Escorrendo um pouco de mim para todos os lados
“Eu faço versos como quem chora”

domingo, 4 de outubro de 2009

2 em 1

"Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto de bons modos
Não gosto
(...)
Eu aguento até os modernos e seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas e suas verdades perfeitas
(...)
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competências
Eu não ligo pra etiquetas
Eu aplaudo rebeldias
(...)
EU GOSTO DOS QUE TEM FOME
DOS QUE MORREM DE VONTADE
DOS QUE SECAM DE DESEJO
DOS QUE ARDEM"

(Adriana Calcanhotto)


Não questinone. Seja.
Tristeza, alegria, depressão, melancolia, felicidade, euforia.
Não questione. Seja.

Por que ser menos do que ser inteiro?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009


o tempo que passa

o tempo que não chega

o tempo chegou e se foi e chegou e se foi e chegou

uma história engraçada cheia de movimentos ascendentes, descendentes, ascendentes

01:40

e essa história passando pelo tempo
bela história

domingo, 27 de setembro de 2009

brincando no windows movie maker

video

"nos olhos dos loucos, gilete"


sábado, 19 de setembro de 2009

Poema Dos Olhos Da Amada

Oh, minha amada
Que os olhos teus

São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus

Ah, minha amada
De olhos ateus

Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus


Vinicius de Moraes

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

tudo sagrado - mário bortolotto

você acha que eu acho pouco e se ofende com o destino dos meus passos
você acha que eu acho pouco e se ofende com meu nítido embaraço
eu fico esperando que a ficha não caia, eu rezo de mais
oh baby, don´t cry
vê se não quebra os pratos, não me atire os sapatos
não me deixa abandonado
não vira pro outro lado
porque pra mim é tudo sagrado
ter você longe ou ter você do meu lado

P.S. pode ser que tenha algum errinho na letra, falha de memória, mas a essência é essa

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Não ouse roubar a minha solidão se não fores capaz de me fazer real companhia.

(Friedrich Nietzsche)